Ainda sou do tempo em que as avós ensinavam as netas a bordar, tricotar, fazer crochê, etc. Já não fui do tempo em que as meninas aprendiam na escola os lavores, com muita pena minha. Penso que o ensino diferenciado segundo os géneros ajudava as meninas a desenvolver competências femininas e os rapazes competências masculinas, coisa que hoje em dia não existe nas escolas. Ser feminino passa por usar barriga à mostra e masculino usar calças ao fundo do rabo.
Tive a sorte de aprender algumas coisas com a minha avó paterna, que era costureira, ora porque conseguia reproduzir coisas que a observava fazer, ora porque ela tinha paciência para me ensinar. Sorte essa que a maior parte das raparigas das gerações seguintes não tiveram, porque hoje em dia, as avós não estão em casa, as avós trabalham porque a idade da reforma aumentou, o estilo de vida citadino assim obriga, o poder de compra é diminuto face às necessidades, etc., seja qual for o motivo, hoje em dia, as raparigas não sabem fazer nada.
Saber fazer alguma coisa que implique tempo, paciência, arte ou tradição é uma raridade. São preciosas as pessoas que atualmente se dedicam a alguma coisa que não envolva passar horas de cabeça pendurada a fazer festas num aparelho qualquer. Nem a literatura escapa a esse desfecho, mesmo com livros digitais, o uso dos aparelhómetros não se destina à leitura.
Ontem fui ao mercado, à banca de roupa de bebé, comprei dois conjuntos que a vendedora colocou num lindo saco de plástico. Só reparei no desenho do mesmo quando já estava em casa e o pousei no chão. Olhei para o desenho e imediatamente reconheci no mesmo momentos da minha infância. Já vi aquele desenho nalgum lado.
Deixo aqui a questão: onde é que já vi isto?
E o que é que o saco de plástico tem a ver com tradição? Nada, absolutamente nada. Se fosse tradicional ainda ia às compras com um carrinho de pano. Mas a verdade é que o saco me fez recuar no tempo e pensar nas coisas bonitas que aprendi a fazer e que são cada vez mais raras nos dias que correm.
Felizmente há um número cada vez maior de pessoas da minha idade e mais velhas, que se dedicam a aprender crochê, tricot, arraiolos, ponto cruz, etc. Basta utilizar a internet e encontram-se centenas de sites com informação detalhada de como se faz. Eu sou uma delas :)
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