De há uns anos para cá, tenho vindo a intensificar a minha atenção aos locais onde as pessoas se desfazem de tralha. Não é lixo porque esse fica dentro (quase sempre) do contentor, é tralha que não fica bem em casa mas enfia-la dentro de um caixote mal cheiroso parece demasiado cruel. As pessoas deitam fora de tudo um pouco: roupas, sapatos, eletrodomésticos, colchões, cassetes vhs do Dragonball (bárbaros), retratos dos avós e peluches.
PELUCHES! Fofos e maravilhosos bicharocos de tecido felpudo, com um ar de quem já não serve para aquela criança que em tempos os amou mas que ainda não estão assim tão acabados.
Como eu sou um coração de manteiga, não consigo ficar indiferente àqueles olhos ternurentos que olham para mim a suplicar uma segunda oportunidade. Os meus olhos detetam à distância que está ali alguma coisa que pode ser interessante. Aproximo-me e vejo uma coisa fofa e suja, muito sujinha mesmo, e fico de coração partido. Pobrezinhos, como tiveram coragem de vos abandonar?
Acabo por levar para casa um amigo novo, com direito a banho e operações plásticas quando necessário.
Já tenho uma família adotada considerável! São todos bem acolhidos em nossa casa.
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